MULHERES NA COZINHA
- 8 de jun. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 15 de set. de 2022

"Pior do que uma mulher na cozinha, são duas". - ouvi trabalhando em uma cozinha profissional em 23 de junho de 2013.
No universo da gastronomia profissional lugar de mulher não é na cozinha. Alguns poucos progressitas dirão que somente no garder manger (setor especializado em geral nas entradas da casa, principalmente saladas e sopas) ou na confeitaria (setor de doces e sobremesas). Na parte quente: jamais!
Admiro todas as mulheres que se colocaram como missão vestir uma dolmã e entrar numa cozinha. Num geral ela é fundamental para o funcionamento da mesma, pois somente grupos diversos pensam em mais cenários.
Quando há uma mulher na cozinha ela lembra a todos daquilo que tinham esquecido enquanto os homens brancos opressores coçavam o saco e caçoavam um do outro. Ser mulher na cozinha é assistir o homem em seu estado mais primitivo ao seu lado, isto é, um machão com poder e ter que lidar com assédio. Entender que isso é algo cultural, mas ao mesmo tempo não se submeter. Não podemos abaixar nossas cabeças jamais!
Na melhores cozinha há hierarquia devido a estrutura montada na França por Escofier em mil e bolinha, contudo esta é quase tão ineficiênte quanto ao sistema de ensino brasileiro. Ambos atrasados em contextos psicológico. E o pior: como toda instituição autoritária por vez ou outra o abuso deixa de ser abuso e é tratado como pura naturalidade.
Na minha experiência o que eu vi como consequência desse ambiente brutal: a mulher que sobrevive se descaracteriza e tem que se tornar tão forte quanto o tirano. Tendo que se tornar tão cascuda que aguente qualquer bica, qualquer berro. Pior do que ter uma mulher na cozinha é ter duas, verão o pior lado delas, porque elas irão competir neste universo. Ninguém, homem ou mulher, deveriam ser tratados com ríspidez em seu ambiente de trabalho.
Não só querendo mesmo alimentar os clientes, mas sim o próprio ego.
Se eu pudesse jamais deixaria uma mulher sozinha numa cozinha profissional, sempre estaria ao lado dela para alertar que nenhum abuso é natural. E lhe dar forças para o que ela tem que enfrentar ali dentro. Porque a guerra só acaba quando ganhamos consciência.
Temos a missão de estimular a empatia e a sororidade. Entender que como mulheres estamos ali para dar suporte uma a outra, criar um mundo melhor para nossas filhas e netas que também quiserem ser Chef.





































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